Acabei de ler: O Senhor dos Aneis

Este é um livro que deve ser lido mais de uma vez. Mas não porque é emocionante demais, e sim porque é detalhado demais. O autor passou boa parte da sua vida criando os detalhes deste mundo. A trilogia (são 3 livros, assim como 3 filmes) tem uma tônica bem diferente que seu antecessor, O Hobbit. Enquanto este é mais infantil, a trilogia tem um caráter épico.

Gandalf, que no início é um mago legal, que faz fumaça engraçada com o cachimbo, ao final afirmou que sua missão na Terra Média, a de antagonizar com Sauron, estava completa (Sauron é um Maiar que existe desde o início do mundo). Deu a entender que Gandalf não era um ser humano. Devia ter milênios de idade quando contactou Bilbo pela primeira vez.

Na minha humilde opinião, o livro foi crescendo em complexidade enquanto foi escrito. O primeiro livro focou-se na viagem dos hobbits e terminou quando a Sociedade do Anel dissipou-se, como no filme. No início, os encontros eram casuais, sucessivos e aleatórios, igual ao hobbit. Com o passar dos capítulos, os personagens ganharam complexidade.

Um exemplo é o cavaleiro negro, que no início parecia apenas um personagem do mal (no livro, eles falam). Depois, descobriu-se que ele era um dos reis da antiguidade, que receberam os aneis do poder.

A partir do segundo livro, o personagem Passolargo ganhou uma notoriedade incrível. Acho que neste momento a cabeça do Tolkien enlouqueceu de ver. Ele escrevia estórias paralelas enquanto escrevia O Senhor dos Anéis. Vez por outra algum personagem recitava um poema dos Dias Antigos. Provavelmente, Tolkien parava sua estória aí e ia criar um conto. A maioria deles foi, depois, organizada e transformada no O Silmarillion (que eu já comecei a ler e até agora, parece melhor que a trilogia).

Durante mais de 60 anos, o autor lapidou este mundo. Inventou línguas (ele era filólogo) e relações entre as línguas, influenciadas pelas histórias dos povos. Então, ele criou as histórias destes povos. No O Silmarillion, ele conta uma versão para o início do mundo. É tão poética quanto fantástica. Não vou dar qualquer pista para não tirar seu prazer.

No último livro, toda menor ação ganhava um nome e seria lembrada como "O dia em que tal coisa aconteceu". Coisas como a perseguição de Aragorn, Legolas e Gimli aos orcs que levaram os dois hobbits prisioneiros, o avanço dos Ents sobre Isengard, das batalhas nem se fala.

A adaptação para o cinema ficou muito boa. Quando ia iniciar a leitura do livro, e já tendo visto o filme, eu tinha lido na época do lançamento do filme , alguém comentou que não seria possível adaptar a trilogia para o cinema. Agora eu entendo o que quiseram dizer com isso.

Adaptação para o cinema

Não dá pra passar para a tela toda a complexidade do mundo de Tolkien. As relações de todos os seres, povos e ações demandariam ao menos uma novela. Para cada livro.

Mas a adaptação ficou quase perfeita. Algumas coisas, inclusive, não caberiam no filme se não fossem modificadas. Por exemplo, os orcs, uruk-hai e Nazgul eram tagarelas. Perto do fim, o céu ficava negro por muito tempo, pois a sombra estava em quase tudo. Em Minas Tirith, quase não se via nada.

O diretor também retirou vários personagens que não adicionariam nada à estória principal. Desses, eu só acho que ele ficou devendo o Tom Bombadil, uma figura poderosíssima e extremamente enigmática, que ficou pra trás no livro 1. Claro que houve muita simplificação, como Scadufax, os outros nomes de Gandalf, a estória dos lugares. Também não gostei da bronca dos hobbits nos ents durante o entebate (no livro, eles apenas testemunham).

No livro, ficou muito claro que aquela estória estava sendo contada pela visão dos Hobbits e teria sido traduzida do elfico pelo próprio Tolkien. Ela foi, inclusive, iniciada pelo Bilbo, organizada pelo Frodo e finalizada pelo Sam e, após a viagem deste, sua filha ficou encarregada pelo livro.

O filme, como é costume hoje em dia, fez todo mundo rejuvenecer. Frodo que já tinha 50 (o que para um hobbit equivale a uns 30), ficou com cara de 15. Aragorn tinha 70, mas era um dunadain, o que talvez equivalesse a uns 50 e no filme devia ter uns 35. O livro às vezes era lento e parava pra explicar muitos detalhes, nomes das coisas em várias línguas, todo mundo cantava umass lendas que nunca ficaram explicadas, enfim.

A fotografia ficou sensacional. Eu não conseguiria imaginar melhor o Olho de Sauron, nem Gollum, Gimli, a sensação de usar o Anel (e tudo isso ficou fiel à descrição do livro). O filme conseguiu nos fazer imergir e acreditar no mundo de Tolkien. Cumpriu aquilo a que se propôs e com maestria, porque tenho certeza de que agradou aos fãs antigos (pois pouco se desviou da estória) e ainda conseguiu fazer um filme atual, com cenas de batalhas uma fotografia fantástica e realista ao mesmo tempo.

UPDATE

Sugiro que, ao ler o livro, vocês procurem por imagens no google. Existe uma legião de fãs que criou imagem de personagens, lugares e situações. Há também fotos dos filmes.

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